quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A vida não acaba aqui

Na memória persiste
um fim de tarde
memorável, único, soberbo, saboroso, intenso.

Na imagem cerebral vive
cada cena viva,
louca, apaixonante, deslumbrante, quente.

Nada desaparece daquele dia,
daquele momento de eterno sentimento,
nada vai com o sol ou com o vento;
tudo fica,
aqui,
nesta alma de segredos guardados e paixões aquecidas.

Fica o amor, o carinho,
a delícia de te ter em mim
e
a ternura de estar dentro do teu mundo,
à superfície e bem no fundo.

A vida podia acabar aí,
mas não,
não acabou;
nem há-de acabar aqui.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Desabafos de fim d’ano

II

Podes pensar tudo o que estiver guardado nessa alma,
uma alma única, rica, apetecível.
Podes sonhar todos os sonhos até ao limite dos limites.
Podes imaginar este mundo e o outro
e
ainda mais para lá deste e do outro mundo
Podes criar quadros lindos de morrer por eles.
Mas, acredita,

nada há como estares em mim, dentro da minha alma,
com intensidade e calma;
nada há como viveres a vida na minha vida;

nada há como te afogares de paixão e loucura
por cada momento de ternura;
nada há como entrares na eternidade
aconchegada pelo meu abrasador calor.

Acredita,
acredita que é verdade.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Desabafos de fim d’ano

I

Acredita,
não haverá mais noites com aquela noite.
estavas deslumbrante,
atraente,
um delírio gritante,
um encanto penetrante.
estavas como a lua:
luminosa, apaixonante, nua, toda nua.
estavas despida de complexos e preocupações,
estavas despida de um mundo
de teias incontornáveis,
de um quotidiano de labirintos infindáveis.
toda tu eras felicidade,
toda tu eras loucura, intensidade, desejo ardente.
toda tu eras vida, sonho, doçura, ternura.

Não te toquei.
observei-te apenas,
percorri,
com um olhar vivo, esfomeado, intenso,
cada curva,
cada linha de um corpo escultural, perfeito, belo.
não consegui tocar-te:
fui avançando,
segundo a segundo, com o tal olhar indescritível,
por uma ingénua beleza,
por uma inocente pureza,
até que, não resisti,
e saiu-me uma simples confissão:
a um dos ouvidos, disse-te ‘estava capaz de te devorar’,
ao outro, ‘mas, sabes, a vida não me permite entrar na tua vida’,
e à tua alma, contei ‘o meu amor
por todo o teu mundo é assim mesmo, distante e especial’.

Liberta-me, liberta-me por favor destas malditas amarras.
deixa-me entrar em cada pedaço
de um interior memorável, endeusado, paradisíaco.
prometo não sair mais;
de ti, claro.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ausente

Sei que estás ausente,
mas encaro cada ausência tua
como um desafio;
um desafio à minha alma,
ao meu sentimento,
a um coração despedaçado.

Sei que não estás,
mas enfrento cada momento sem te ver,
sem te ter,
como um momento de verdade,
de crescimento interior,
e, claro, de dor.

O que hei-de fazer?
Não sei viver sem te ter
e sempre que escapas do meu espaço
fico assim como um pobre sem família, sem abrigo, sem alimento.

Deixa lá, hei-de salvar-me
nesta terra sem cor
sempre que partes para um qualquer outro lado.
Acredita que sim,
vou salvar-me.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SIM

Não venho dizer-te muito,
não quero gastar-te o tempo
com palavras

que o vento leva velozmente,
que um barco arrasta por um infinito mar,
que um sol aquece até apodrecer.

Não.
Não te queimo a alma com confissões quentes
de um coração esgotado de paixões, recheado de solidões,
e, vá,
descansa,
não te dispo os sentimentos com pressões ingénuas.
Não,

também não te vou saturar os ouvidos com conversas inocentes
e que,
hás-de pensar,
nada trazem para transformar um qualquer mundo em paraíso.

Não.
Deixa-te estar, aí, calada, sossegada, sentada,
concentrada num tempo sem tempo,
esquecida num imaginário sem linha,
perdida num horizonte sem limites;
deixa-te andar como uma onda a cair, suave ou vivamente, na areia virgem, molhada,
deixa-te ir como um navio sem bússola, como um pássaro de asas frágeis,
deixa-te ser uma gaivota sem destino, um preso com liberdade,
deixa-te cair um minuto num precipício de sonhos.

Não, não vou dizer mais não;
não isto, não aquilo,
vou dizer antes isto:
sim,
és uma deusa endeusada pelo tempo,
adorada por palavras, confidências e desabafos
de
um encantado poeta de noites de magia,

esfomeado de amor, sequioso de ternura.

Sim, és assim.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Por ti

Cada bocadinho contigo
é um bocadinho de carinho;
sinto,
cada vez que trocamos palavras, ideias ou desabafos,
a janela da alma abrir-se de ternura;
sinto,
cada vez que me ouves,
a porta do coração abrir-se de encantos.

Sinto também,
contigo,
no calor de uma alma fragilizada pelo tempo,
um sopro intenso de um vento penetrante;
e, pois então,
vivo de palavras ditas numa noite de chuva:
a minha vida é a tua vida,
desabafaste.

E é assim,
com pouco de tudo e muito de quase nada,
que
este pobre e louco perdido no tempo e na lua
vive:
de um amor mais amor do que o amor.
Sem sofrimento,
com paciência,
por ti
por cada bocadinho de ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Como tu

Não há mar profundo como o teu
Não há luar intenso como o teu que brilha em noites de conversas eternas
Não há sol ardente como aquele teu que ilumina um território obscuro
Não há vida como a tua vida,
não há.

Procurei, procurei, fui indo, até sei lá onde
e nada;
não encontrei.

Não encontrei ninguém como tu,
inocente criatura de beleza ofuscante,
ingénua figura mais escultural

do que
a obra do melhor artista de uma arte com arte,
diabólica alma de sentimentos transbordantes.

Nada é como tu,
ninguém vive como tu,
tu, sim tu mesma, és tudo.
Vê lá, tudo.
Sem mais caracteres, sem mais palavras, vírgulas, pontos ou parágrafos.
És tudo e não há mais nada para explicar, descrever ou desabafar.

És tudo,

mas mesmo tudo.

Ouviste?

Hoje fizeste anos.
É verdade.
Parece que estás mais velho, mais velho um ano.
Pelo menos dizem.
Pelo menos dizem que nasceste neste dia.
É verdade,
é verdade que também dizem que nasceste
há precisamente não sabes quantos anos.
Parece que foi ontem.
Parece que foi ontem?
Que lata!
Como sabes que parece ter sido ontem se não te lembras de ter nascido?
Não te lembras de ter nascido?
Claro que não!
É uma força de expressão!
Dizer que parece que foi ontem é uma força de expressão.
É como quem diz
que
a vida passa tão depressa como
um comboio alfa-pendular passa por qualquer estação.
Só isso.

Hoje fizeste anos.
É engraçado.
Se calhar não é engraçado.
É apenas uma constatação:
sentes-te porventura
um bocadinho mais velho?
Ontem, por exemplo, eras o mesmo que és hoje.
Sentes-te como se tivesses as mesmas vírgulas
e
os mesmos pontos finais.
Nem mais uma linha; és o mesmo
e pronto.
Nem mais um ponto final.

É verdade.
És o mesmo de ontem,
o mesmo de anteontem,
o mesmo de há uma semana,
de há um mês,
de há um ano.
Sem mais vírgulas ou pontos finais.
És o mesmo e pronto.
Mais velho ou com mais anos em cima do pêlo
és o mesmo e ninguém,
mas mesmo ninguém,
pode dizer que não.
És o mesmo
e
não se fala mais no assunto.

Ouviste?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Menina da ria

Um sorriso inocente daquela menina
e aquece um peito frio e desprotegido;
uma palavra ingénua daquela menina
e arde uma alma carente e perdida.

É, é verdade;
aquela menina encanta só de olhar,
espanta só de estar, ali, parada,
mata a saudade de um nostálgico poeta,
entusiasma a vida de um pobre sem tecto nem morada.

Como é bom interiorizar
a suavidade do olhar,
a doçura da voz,
o encanto do andar.
Como é bom imaginar
a escultura de um corpo celestial,
o desenho de pernas bronzeadas por um sol escaldante
a ternura de cada gesto.
o sabor salgado de lábios tenros e apetitosos,
e, claro, o sentimento de um coração palpipante.

É, é mesmo verdade:
a menina de uma ria transparente, inimaginável,
sorri para ti e tu entras no paraíso impossível de atingir,
passas a ser o rei de além mares e de todas as luas.

Bates a porta ao sonho,
fechas a janela do imaginário
e, aí está ela,
toda tua,
a menina da ria:
linda, sorridente, pura, ardente, solitária, poderosa.
É assim,
é assim a menina de amores eternos e olhares endeusados.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

É assim

É assim a vida.
Os segundos contam, os minutos passam, os dias correm,
os anos são vividos.
Não há nada a fazer: a vida vive-se e ponto final;
vive-se enquanto se vive,
vive-se até chegar aquele dia,
aquele dia de dizer adeus.

(obrigado Vida por me ires dando vida)

domingo, 28 de setembro de 2008

Ainda ontem

Ainda ontem eras uma criança a chorar,
embalada pelas mãos de uma mãe e pelo coração de um pai,
uma menina a crescer para o tempo,
uma adolescente de sonhos de sonho,
uma alma apaixonada por um homem que haveria de ser teu,
uma mulher de aliança no dedo
e
pronta para enfrentar ondas, marés, ventos, tempestades, enfim, uma mulher.

Ainda ontem eras quem eras,
ainda ontem vivias numa linha de horizonte inimaginável,
procuravas um qualquer fim com ou sem fim,
esbracejavas por entre correntes de um rio sem foz,
lutavas até ficar sem voz,
amavas sem cobrar,
davas sem receber,
vencias sem pisar.

Sabes, Mãe, ainda ontem eras assim
e, acredita, nesse tempo sem tempo,
fosses o que fosses, fosses como fosses,
já eras Mãe.

Sabes, Mãe, ainda ontem o sol nasceu
e,
acredita,
ainda hoje nasce.
Porque o sol és tu, Mãe de todas as Mães.
Não és tu a vida de seis vidas?
De seis vidas que outras vidas deram?
Não és tu o exemplo mais do que perfeito de um exemplo sem exemplo?
Não és tu um vento que sopra até transformar o impossível?
Não és tu um mar eterno?
Não és tu a deusa da ternura que perdura?
Não és tu o paraíso de ondas intocáveis?

É verdade, Mãe, ainda ontem estavas ali, no berço de uma orgulhosa e humilde família,
ainda ontem estavas ali, no altar, a dizer sim quero viver com este homem para todo o sempre,
Ainda ontem estavas ali, não sei quantas vezes, a sentir-nos sorrir para um templo chamado vida,
Ainda ontem estavas sentada naquela cadeira a falar, a falar e a falar.
Adoras falar, adoras conversar, adoras estar onde estás, adoras viver.
Por isso, Mãe, ouve-me com atenção: não vás já embora, não vás, por favor.
Acredita, vou conversar com o Pai.
Ele não te pode querer ao lado dele, pelo menos agora,
Vou pedir-lhe apenas isto:
Pai, sê nosso amigo, sê amigo de todos amigos teus amigos e amigos da tua Deusa,
não queiras
a outra tua alma na tua alma.
Ele vai atender este pedido.
Ele não te vai levar.
Pelo menos por agora.
Ainda terás muita vida na tua vida.

E sabes o que mais me apetece dizer, Mãe?
Não sabes?
Vá lá, diz que sabes,
e
sorri sempre que repetir esta frase:
Obrigado, vida, sem ti não estava aqui.
Obrigado, Mãe, Deus sabe como te amam os que te amam.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Madalena

Perdeu-se.
Desapareceu.
Sem rasto, com memórias, com histórias, sem destino nem paradeiro.
Foi e não voltou.
Inocente da inocência, ingénua de ingenuidade, louca de loucura,
Partiu e nunca mais deu notícias. Pum!
Era uma vez uma Madalena.

Era uma vez uma Madalena,
a Madalena de poemas declamados
na esquina
de uma casa de férias,
uma casa azul clarinha, de telhados de barro e muitas conversas ou discussões para recordar.
Lembrar-se-á a Madalena dos poemas declamados?
“Eras tu Ó Madalena, aquela que eu mais queria,
eras tu quem eu desejava de noite e dia…”
Que tempos inenarráveis,
que memórias, que histórias,
Que ventos naquela face,
Que beijo, doce, profundo, indescritível.

Lembrar-se-á a Madalena daquele beijo,
numa noite quente, estrelada, aluada, limpa como a alma dela?
Uma alma mais aberta
que
a janela do quarto onde adormecia até o sol nascer e o mar encher,
uma alma mais quente
que
um coração, ardente de tanto palpitar sempre
que
esta mão, a direita,
lhe
tocava, leve e suavemente, no braço esquerdo.

Lembrar-se-á a Madalena, não, não se lembra,
que
a vi deitar-se,
calma e seguramente,
naquela cama solitária de um quarto pouco ornamentado?
Despida? De pijama, às riscas ou às bolinhas, branco ou azul claro liso? De calções, curtos ou compridos?
Que interessa isso?
Era uma vez uma Madalena
e
ponto final.
Não há mais nada para interiorizar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Estranho

É estranho,
pode parecer estranho,
mas não é.
Nunca mais,
nunca mais ela o ouviu,
nunca mais ele se inspirou naquele sorriso,
naquela inocência,
naquele olhar deslumbrante, intenso,
atraente, único.

Não é estranho, não.
Ela escapou-se,
escapou-se
de sentimentos apertados, vivos, loucos;
escapou-se
de ardências de alma sem fim,
e, quem sabe,
de fantasias mais reais
do que
a magia da vida.

Fez bem?
Ou melhor,
fizeram bem, ela e ele?
Ninguém sabe.
Ou melhor, sabe;
Deus, se existe Deus, sabe de certeza.
É estranho,
pode parecer estranho,
mas foi assim:
Ela foi,
ele foi
e
eles – ele e ela, claro – ficaram,
ficaram unidos por um fio: a amizade.
Era um estranho neste mundo respirado,
Espírito errante de um outro mundo tombado;
Uma coisa de obscuros intentos, que moldou
Pela escolha os perigos a que a sorte escapou.

[in "Desgraça",
de John Maxwell Coetzee, escritor sul-africano]

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Trabalho

"O único lugar onde o sucesso vem
antes do trabalho é no dicionário"

Albert Einstein

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Foi a gosto

Foi a gosto
que por aqui andaste

Foi a gosto
que por este lugar passeaste

Foi a gosto
que por cá leste
tudo
o que leste

E, repara,
foi a gosto
que sentiste
o
que sentiste
quando me sentiste.

Também
há-de ser a gosto
que hás-de voltar.
Aqui ou acolá,
hás-de voltar.

[agargantafunda vai ficar mais funda quando for retocada; um dia destes, talvez]

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

um pedaço

Dou-te um pedaço de mar para a mão; provas.
não sabe a sal,
sabe a amor.
amor eterno,
amor dos antigos,
daquele que dura e não mais acaba.

queres mais.
voltas a beber; como te sentes?
nas nuvens, claro.
quem não ama a eternidade,
quem não vive no interior da mais leve e terna lua
sempre que atinge a eternidade do amor?
quem?

queria

Queria mergulhar no mar.
Mergulhar e não mais voltar.
Sozinho? Que disparate!
Alguma vez
podia ir e não voltar,
ou melhor,
alguma vez
podia ir, ficar, ficar para sempre
e
não mais voltar
e
tu ficares aqui,
sem lá bem onde,
à espera de ninguém,
à espera de tudo que seria, afinal, nada?
Seria eu capaz de cometer tal pecado?
Sim, claro que seria um pecado.
Um pecado por deixar uma mulher soberba,
de beleza eterna e amor infinito,
como tu, aqui,
sei lá bem onde,
sem ninguém, sem tudo e sem nada.
Pronto, amor da minha vida, deusa da minha morte,
a mensagem está enviada,
vou mergulhar no mar,
um dia hei-de mergulhar no mar,
ficar lá para sempre e sempre,
mas
levo-te como uma onda nos meus braços.
Para sempre.
Para sempre
ficaremos no fundo,
no fundo do mar
Sem ninguém, com tudo e com nada também.

queria tocar

Queria tocar no teu coração.
Não sei se seria capaz, mas queria,
queria
tocar em cada bater de sentimento
escondido,
tocar em cada pedaço de vida,
tactear cada linha, cada nervo.

Queria tocar no coração
de
uma divindade cristalina (tu mesma, fabulosa deusa de marés infindáveis).
Queria tocar e perder-te,
por uns minutos,
horas ou dias.
Mais não.
Chegaria de sofrimento.
Não tocar é pior do que tocar;
não tocar no teu coração
é pior do que lhe tocar.
O meu coração
dá-me esse bater de sensações intermináveis,
livres de um vento mais vento que Zéfiro,
o deus de todos os ventos,
dá-me passos de um piso clássico de templos desaparecidos.
Dá-me.
Chega.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Um dia

Um dia,
um dia vamos deixar de ver isto.
Um dia vamos deixar de estar aqui;
aqui ou em qualquer outro lugar.
Vamos deixar de estar e ponto final.
Aí, no ponto final, dizemos um inevitável adeus à vida,
ao mar,
ao sol,
à lua,
à terra,
ao fazer amor numa qualquer posição ou num qualquer lugar,
dizemos até logo aos amigos, às amigas, aos irmãos, às irmãs, às mulheres, às amantes, às tias, aos tios, às mães, aos netos,
eu sei lá,
vamos dizer adeus,
se tivermos tempo,
a quem amamos ou deixamos de amar por isto ou por aquilo.
É o fim, frase maldita.
Se tivermos tempo e se tivermos sentimento para dizer palavras escritas;
Sim, as palavras escritas são mais profundas.

Um dia,
um dia,
vais sorrir para me dizer,
com palavras escritas,
como sentes a profundidade de um sentimento daqui enviado.
Daqui, do dia que há-de ser mais dia que o dia da partida.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Quem somos

Procuro na planície
quem não sou,
descubro no horizonte
ser mais do que não sou.
Afinal, quem somos nós?
Nada mais
Do que não somos!
Procuramos, descobrimos, encontramos e concluímos:
Seremos alguma coisa?
Ou não seremos o que não somos?
Ou seremos o que não somos?
Não sei.
Não sabes,
não sabemos.
Talvez ninguém saiba
Talvez.

Deixa-me

Deixa-me adormecer em ti.
Deixa-me viver em ti.
Agora já não quero morrer.

Deixa-me ir no teu interior,
deixa-me ficar por aí, por um instante eterno,
deixa-me ser a tua alma.
Deixa-me, vá lá,
não és tu que dizes: amo-te, amo-te muito.
E então?
Não dá para entrar e ficar,
dá, claro que dá,
basta abrir a vida, a tua vida;
basta entregar o mundo, o teu mundo;
basta aqueceres a água de mar gélida
E pronto, aí está o teu outro lado.
Em ti, eternamente em ti.
E a sussurrar-te: agora, sim, não quero morrer.

[ideia retirada de um desabafo escrito num qualquer dia de 1988, terminado agora, em 2008]

Palavras escritas

As palavras que escrevi
são vontades infinitas,
pensamentos perdidos.
Os sonhos que me levam
são leves, são meus.
Os sentimentos sentidos
são belos, mas inseguros.
As realidades que me ficam
ensinam-me sem eu saber,
fazem-me sentir sem sonhar,
olhar sem ver!

A saudade instala-se
num silêncio ensurdecedor.
A solidão perde-se em mim
porque abandono-me nela.
Vou… até ao que fui,
espero pelo que virei a ser
mas fico pelo que sou!
[escrito no Furadouro, a 15 de Setembro de 1988]

Desejo

Pede um desejo
Pouco importa que seja
Este universo inteiro
Pede um desejo.
Pede um desejo

Mas ao menos que seja
Outro Universo inteiro
Pede um desejo
Onde eu seja contemplado
No teu universo inteiro
Pede um desejo.
Pede um desejo
Não deixes de escolher
Entre tudo e o nada
Pede um desejo
Pede um desejo
Sabes que menos que tudo
É pouco mais que o nada
Pede um desejo
Do nada depende tudo
E contudo....Pede um desejo
Letra: Fernando Dias Antunes
Música: Xutos & Pontapés
[nota do autor do blog: este é um tributo aos Xutos. É o segundo desabafo aqui publicado não escrito por este v/ amigo; o outro é o FIM, de autor anónimo]

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Nome

O meu nome és tu
O meu nome é mais do que um nome,
É saber que te tenho e que te quero,
É estar em ti e não mais querer voltar.
O meu nome é a tua identidade,
a tua alma,
a tua maneira inocente
de ser e de estar.
O meu nome és tu
e
todo o tu
Não quero outro nome,
quero ser tu!

Encanto

O teu canto um encanto é, um espanto não é
O teu canto é um encanto de aquecer uma alma sem manto
E não é um espanto por a tua música ser muito mais do que real.
Não. A tua música não é ficção,
a tua música
é um sonho de entrar e não mais voltar,
é como quem mergulha num mar eterno sem destino nem retorno.

Andar de parte em parte ao som da tua melodia
é ir e deixar-me ir,
assim,
sem mais preocupações nem menos divagações;
é partir para um lado diferente do desconhecido,
invisível do palpável;
é entrar num sonho
e não mais acordar;
é como espreitar a porta da morte,
ser convidado a entrar e continuar vivo.
Ouvir a tua voz
é mais do que um encanto,
ninguém é capaz de imaginar o que sente a minha alma
quando a tua voz canta só para o fundo de mim
Olhar os teus transparentes e plácidos olhos
é ficar cego de loucura,
tanta é a beleza que me conduz a um mundo que não é mundo.

Entrar no teu corpo é como ir à Lua sem poder ir,
é entrar na felicidade eterna
e de lá não mais querer sair.
Nem tu sabes como me deixa cego
de felicidade ficar dentro de ti uns segundos que sejam...
Adoro estar dentro da tua alma,
viajar no teu interior,
explorar cada um dos teus cantos
e, a dada altura, apetecia-me dizer:
por favor, deixa-me ficar aqui, sim?

Amar

Amar é ter-te e não te ter.
É estar contigo e não estar.
É sofrer até que o sofrimento nos transforme em morte.
É morrer aqui, ali e seja onde for.

Amar é voar por um planeta sem destino, sem tempo nem espaço.
É dizer a tudo quanto mexe e até que não mexe que sem ti não vivo.
É isso mesmo. Sem ti não vivo. E tu, mesmo escondendo nesse teu interior de beleza inconfundível e interminável, sabes bem que sem ti não vivo.

Amar é partir sem ter onde ficar.
É ir para lá do além e não mais voltar.
É dar o corpo e entregar a alma ao criador.
E assim ficamos. Sem nada, tudo teu, tudo em ti.

Amar é tudo isto e muito mais que as palavras não conseguem traduzir.
E tu sabes bem que é tudo isto e muito mais que sinto por ti.
Para sempre e até sempre.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

FIM

Ao despedir-me
de algo (alguém)
há uma parte de mim
que vai,
sem me perguntar
se eu deixo ir.

Antes da despedida,
já encontrei,
já conheci,
já construí,
já compreendi.
Por isso, agora
não fico menor
nem incompleta.

O que vai de mim
nessa despedida
é uma saudade perdida,
uma sensação infinita.
E enquanto viver
tudo será encontro e despedida,
excepto no dia da minha morte…
em que me despeço de mim
para me encontrar com o FIM.

(1 de Maio de 1988)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mundo

Há um lugar para ti neste mundo.
Neste mundo de palavras intensas,
de fantasias intermináveis,
de conversas impensáveis,
de olhares inimagináveis.
Neste mundo de encantos inocentes,
de sorrisos espontâneos
de ternuras carentes,
de qualquer coisa impossível.

Há um lugar para ti neste mundo.
Um lugar sem morada,
sem identidade,
sem face,
com perfil,
com alma.
Um lugar sem memória,
sem história,
com vida,
com eternidade,
com loucura.

Há um lugar para ti neste mundo.
Era isto que pensavas?
Era isto que sentias?
Não?
A sério que não?Pois não. É este teu eu que o sente.

domingo, 22 de junho de 2008

Mar

Mal te conheço
mas vejo em teus olhos
um outro Mundo.
Na tua voz,
ouço a melodia
e em ti sinto
o que nunca senti:
sinto uma espécie
de Mar entre nós.

(Mar = amor, vida, poesia)

domingo, 15 de junho de 2008

Palavras

Haja vento ou não haja vento,
há palavras que voam.
Voam de um interior sossegado para um qualquer exterior agitado.
São palavras que voam e ai de alguém que as agarre.
As palavras nasceram para viver em liberdade,
não para alguém as prender.
E alguém,
agora ou mais tarde,
as há-de ler.

Alguém as vai ler,
guardando ou não,
há-de tê-las para as usar.
As palavras nasceram para serem ditas, lidas, sentidas,
enfim, para serem amadas.
Há palavras de dor,
de mágoa,
de ternura
e
de amor.
Há palavras para tudo.
Até para dizer que te amo.
Isso.
Para te dizer,
a ti,
vida sem mais vida,
que te amo.

Seja cá, seja lá, amo-te.

Paraíso

Reparo no paraíso,
imagino-te lá;
deslumbrada, deslumbrante.

Sonho com esse tempo vivido por ti.
Desejo o maior desejo para os teus desejos.
És única, adoro dar-te tudo.
Tudo mesmo.

Volto a sonhar com o teu paraíso.
Desejo o impossível:
encostar-me e sentir o teu coração palpitar,
aproximar-me dos teus lábios (doces, vivos, esculturalmente delineados),
acariciar-te a face,
ouvir-te suspirar suavemente,
sem temores nem ardências.

Não, dizes não, não me toques;
entra apenas,
entra apenas neste mundo,
percorre o meu caminho,
segue o meu rasto,
descobre o meu paraíso.

Aceito.
Entro, percorro, sigo e descubro,
descubro um templo.
Um templo de ouro, flores e um azul intenso de mar.
Não quero mais, não vou mais além:
Convidaste-me, entrei no teu paraíso,
sou filho da felicidade.
Para sempre.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Queria tanto

Queria tanto estar contigo ao luar.
Queria tanto partilhar um canto da praia,
Ouvir o silêncio das ondas do mar,
Partilhar fantasias,
sonhar a noite toda, acordados a conversar.

Sabes, não há sonho que não sonho contigo,
Não há vida que se viva sem a tua vida.
Podes fugir,
podes partir,
podes ir,
mas,
sabes,
vais ficar sempre aqui, aqui nas minhas memórias.

Acredita, o mundo passou a ser mais mundo
quando sonhei que o teu sonho podia contemplar um mundo de fantasia,
um mundo de sonho.

Sei que não posso imaginar,
sei que não posso entrar,
sei que não posso pensar,
mas posso sonhar.
E é por isso que queria tanto continuar a sonhar.
Deus sabe quanto, Deus sabe até quando.

29 de Maio de 2008

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Mais nada

A vida não é mais do que a vida: é vida e ponto final.
Começa, percorre-se por entre curvas, rectas, subidas, descidas, esquinas e entre paredes,
e um dia, sabe Deus quando, termina.Vai tudo, vamos todos, fica o património, algumas imagens, a alma, a saudade.
Mais nada.

A verdade é a verdade. E mais nada.
Custa ouvi-la, dói saber determinadas verdades e também sabe bem ouvir outras verdades,
daquelas que nos fazem sorrir e sentir orgulho e prazer.
Por muito pouco orgulho ou prazer que seja.

E o medo.
Maldito termo, maldito sentimento!
Quem não tem medo de um dia ter medo,
quem não tem medo de tremer por esta ou aquela razão?
Mas – há sempre um filho-da-mãe de um “mas” num desabafo, seja ele escrito ou verbal –, quem não tem medo não tem coragem.
Quem não tem medo não está pronto
para
enfrentar o vento,
o tempo,
um mar de ondas intermináveis,
o sol tórrido,
chuvas torrenciais;
e,
muito mais do que isso,
quem não tem medo, não está preparado para encarar o maior desafio da sua própria vida:
lutar contra a própria vida, fazer força, muita força, para que a última porta não se feche.
Ou pelo menos que não se feche enquanto temos pernas, mãos, saúde, cérebro, coração, alma, sentimentos, enfim tudo no sítio;
dito de outra maneira:
que a última porta não se feche antes de um destino mais imprevisível do que o nascimento de Jesus Cristo.
O destino está traçado, há muito, ninguém o pode negar, mas – lá vem mais outro “mas” – enquanto tivermos vida, força, medo, fé
e
soubermos lutar contra a verdade, havemos de seguir esta fantástica e saudável máxima: “O destino é aquilo que fazemos dele”.
Mais nada.

O teu rosto

Encontro o teu rosto,
de perfil e sombrio,
numa fugaz imagem digital.
Fico mudo de palavras,
cego de tanto encanto descobrir.

Num segundo, num ápice,
O tempo cresce, cresce e volta a crescer de emoção.
Fico dono e senhor de todos os arredores deste e de outro mundo;
És tu, espantosa alma de beleza inconfundível,
Que me transformas num rei de reino infinito,
Que me tornas filho pródigo da eterna felicidade.

Volto a contemplar-te; és mais do que a beleza em carne e alma,
És mais, muito mais, do que uma qualquer escondida musa inspiradora;
contigo vou à Lua, a Marte, a Saturno, a todos os planetas inatingíveis e por lá quero ficar:
com a tua imagem, pura e inocente, no meu imaginário, na primeira página do meu humilde álbum de memórias.
Para contar muitas e longas histórias.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sorriso

Vagueio por uma qualquer rua, por um caminho perdido, não temo a solidão, não conheço o destino.
Vou, só isso: vou.
Vou e paro.
Olho em frente, lá ao fundo, lá está ele, um sorriso,
um sorriso de perfil:
meigo, transparente, lúcido, atraente, vivo.

Os cabelos, escuros e escorridos,
de uma Rainha da beleza de outros tempos,
de uma alma de eternos sentimentos,
de uma vida de intermináveis ventos,
de uma saudade de infindáveis encantos.

Os olhos, também escuros,
de uma profundeza de um oceano sem fundo,
de uma transparência de uma água de nascente cristalina,
de uma iluminada fantasia.

O corpo, mais vestido do que nu,
mais natural do que a pureza,
mais ingénuo do que a inocência.
mais escultural do que a natureza.

Voltei a ir.
Fui.
Fui com aquele olhar no meu olhar,
fui com aquele sentir no meu interior,
fui e em cada história encontrei uma memória dele,
do sorriso.
Um sorriso de musa,
a objectiva na mão,
a paixão no coração,
a ternura em cada pedaço de vida.

Não mais parei,
não mais parei de memorizar:
Tu, Deusa de encantos vivos,
és linda, harmoniosa,
a verdadeira raiz da sedução.
E o teu sorriso, uma tentação.

22 de Maio de 2008

ALMA

A alma não chora,
a alma não grita,
a alma não diz como se sente.
anda por lá e de lá não sai;
o que se há-de fazer?
bater-lhe para sair?
não, é melhor deixá-la estar; a alma é sagrada.

Não há alma como a tua, alma danada, alma sagrada, alma viva, alma revoltada.
Não há alma assim,
Alma de me dar amor, vida, saudade,
Alma de me dar tudo, tudo mesmo.

A eternidade

Deves
ao
silêncio
não desesperar,
nem
o destino culpar pelo silêncio falar.
Pensa no azul.
No horizonte,
encontras
a
memória,
a
imagem esvanecida com o vento.
Sorri no amarelo.
No sol,
aqueces a alma,
contemplas
a planície traiçoeira.
Não fujas
ao silêncio,
descobre
o outro teu eu,
e
diz-lhe:
o meu
eu
é feminino:
ela,
o encanto dos meus sonhos,
o destino da minha vida,
a eternidade da minha alma,
a Deusa dos infinitos séculos,
a Deusa de todos os mares.
11 de Dezembro de 1995

Vamos

Vou pela noite sem pensar
vou pela lua sem sentir
vou pela areia de braço dado
entro pelo mar
e
encanto-me com o teu doce olhar
desço ao fundo e recordo-me de um beijo profundo e terno.
Regresso à vida e digo-te: não durmas sem antes encostares teus lábios ao meu ouvido para me contar o que sentes por cada bocadinho
de
uma inocente paixão.
Uma paixão tão intensa como a onda mais onda a bater naquela praia
naquela praia de uma noite de brilho ardente

Estavas soberba, pura, inesquecível
pedi-te outro beijo.
Não mo deste.
Foste pela noite sem pensar
foste pela lua sem sentir
Levaste-me contigo, de braço dado,
de almas envolvidas,
de sentimentos penetrados
e,
a meio de um caminho sem fim,
encostaste os teus lábios ao meu ouvido
e disseste:
Vamos, vamos para sempre. Por aqui ou ali. O importante é irmos.
E fomos…

20 de Maio de 2008

Um sonho

Tive um sonho,
estava contigo.
Estava contigo, ao luar, à beira-mar,
os teus olhos a brilhar,
o teu sorriso mais intenso do que cada onda a bater na areia virgem, inocente e fria.
O meu coração batia por cada palavra extraída de um sentimento perdido de paixões ingénuas, fortes e cegas.

Continuei, continuei por aquela areia;
Eu e tu, tu e eu,
mais sós do que nunca,
mais felizes do que sempre,
mais sorridentes do que na eternidade.

Continuei, continuei e não parei;
queria continuar a andar,
queria continuar a sonhar.
Tu eras e és um sonho, a noite ao luar não, não é um sonho;
é um momento.
Apenas isso, um momento.
Um momento vivo,
um pequeno pedaço de tempo,
um pedaço dentro e fora deste e daquele mundo.

Estou neste mundo, estamos neste mundo;
estou naquele mundo, estamos naquele mundo,
não consigo parar,
não consigo parar de sonhar.
E, acredita, Deusa da minha alma,
também não vou parar de te amar.

2 de Maio de 2008
(terminado a 20 de Maio de 2008)

Desabafos

Este é um novo espaço.
Um espaço de desabafos. Com amigos e amigas, de amigos para amigos e amigas.
Queremos desabafar, queremos estar no mundo com liberdade, profundidade e loucura.
Muita loucura.
Mais vida em próximas etapas.