quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Por ti

Cada bocadinho contigo
é um bocadinho de carinho;
sinto,
cada vez que trocamos palavras, ideias ou desabafos,
a janela da alma abrir-se de ternura;
sinto,
cada vez que me ouves,
a porta do coração abrir-se de encantos.

Sinto também,
contigo,
no calor de uma alma fragilizada pelo tempo,
um sopro intenso de um vento penetrante;
e, pois então,
vivo de palavras ditas numa noite de chuva:
a minha vida é a tua vida,
desabafaste.

E é assim,
com pouco de tudo e muito de quase nada,
que
este pobre e louco perdido no tempo e na lua
vive:
de um amor mais amor do que o amor.
Sem sofrimento,
com paciência,
por ti
por cada bocadinho de ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Como tu

Não há mar profundo como o teu
Não há luar intenso como o teu que brilha em noites de conversas eternas
Não há sol ardente como aquele teu que ilumina um território obscuro
Não há vida como a tua vida,
não há.

Procurei, procurei, fui indo, até sei lá onde
e nada;
não encontrei.

Não encontrei ninguém como tu,
inocente criatura de beleza ofuscante,
ingénua figura mais escultural

do que
a obra do melhor artista de uma arte com arte,
diabólica alma de sentimentos transbordantes.

Nada é como tu,
ninguém vive como tu,
tu, sim tu mesma, és tudo.
Vê lá, tudo.
Sem mais caracteres, sem mais palavras, vírgulas, pontos ou parágrafos.
És tudo e não há mais nada para explicar, descrever ou desabafar.

És tudo,

mas mesmo tudo.

Ouviste?

Hoje fizeste anos.
É verdade.
Parece que estás mais velho, mais velho um ano.
Pelo menos dizem.
Pelo menos dizem que nasceste neste dia.
É verdade,
é verdade que também dizem que nasceste
há precisamente não sabes quantos anos.
Parece que foi ontem.
Parece que foi ontem?
Que lata!
Como sabes que parece ter sido ontem se não te lembras de ter nascido?
Não te lembras de ter nascido?
Claro que não!
É uma força de expressão!
Dizer que parece que foi ontem é uma força de expressão.
É como quem diz
que
a vida passa tão depressa como
um comboio alfa-pendular passa por qualquer estação.
Só isso.

Hoje fizeste anos.
É engraçado.
Se calhar não é engraçado.
É apenas uma constatação:
sentes-te porventura
um bocadinho mais velho?
Ontem, por exemplo, eras o mesmo que és hoje.
Sentes-te como se tivesses as mesmas vírgulas
e
os mesmos pontos finais.
Nem mais uma linha; és o mesmo
e pronto.
Nem mais um ponto final.

É verdade.
És o mesmo de ontem,
o mesmo de anteontem,
o mesmo de há uma semana,
de há um mês,
de há um ano.
Sem mais vírgulas ou pontos finais.
És o mesmo e pronto.
Mais velho ou com mais anos em cima do pêlo
és o mesmo e ninguém,
mas mesmo ninguém,
pode dizer que não.
És o mesmo
e
não se fala mais no assunto.

Ouviste?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Menina da ria

Um sorriso inocente daquela menina
e aquece um peito frio e desprotegido;
uma palavra ingénua daquela menina
e arde uma alma carente e perdida.

É, é verdade;
aquela menina encanta só de olhar,
espanta só de estar, ali, parada,
mata a saudade de um nostálgico poeta,
entusiasma a vida de um pobre sem tecto nem morada.

Como é bom interiorizar
a suavidade do olhar,
a doçura da voz,
o encanto do andar.
Como é bom imaginar
a escultura de um corpo celestial,
o desenho de pernas bronzeadas por um sol escaldante
a ternura de cada gesto.
o sabor salgado de lábios tenros e apetitosos,
e, claro, o sentimento de um coração palpipante.

É, é mesmo verdade:
a menina de uma ria transparente, inimaginável,
sorri para ti e tu entras no paraíso impossível de atingir,
passas a ser o rei de além mares e de todas as luas.

Bates a porta ao sonho,
fechas a janela do imaginário
e, aí está ela,
toda tua,
a menina da ria:
linda, sorridente, pura, ardente, solitária, poderosa.
É assim,
é assim a menina de amores eternos e olhares endeusados.