quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

amor

querias uma flor,
uma flor de amor.
não querias mais nada:
o brilho de um olhar iluminado,
vivo,
arrepiante,
dizia,
cantava
e
gritava:
era amor o que querias.

e não foi preciso transmiti-lo muitas vezes:
num abrir e fechar de alma,
lá estava ele,
o teu amor,
a dar-te.
a dar-te o quê?
amor, claro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

No templo

A saudade por ti,
mata
quem por cá anda,
quem por aqui divaga,
quem por cá mora,
quem por aqui chora.

Neste templo sem ouro
a morte
mata a saudade;
a morte não mata
a imagem
do
templo vivido no teu tempo.
O templo
por ti construído
jamais se apaga,
ou
não fosse
o teu templo
a nossa vida.

Sem o templo por ti erguido
não exístiamos.

domingo, 11 de janeiro de 2009

I

Dormes no encanto
do desconhecido,
no inocente tempo sem fim.

És um felizardo,
um afortunado,
conhecer a eternidade
não é para qualquer um: invejo-te.

II

Vives do outro lado,

no prazer da pureza,
na iluminação do infinito.

Descansas, finalmente.
Descansas de batalhas infindáveis,
de lutas sem sangue,
com sofrimento,
suor e amor.

És insubstituível, inimaginável.
Esquecer o teu tempo
é impossível:
nem quando morrermos.

III

Deste muito,
sofreste demasiado.
Com trabalho,
sinceridade,
honestidade,
justiça,
rigor,
entrega mais do que total,
e
com muitas outras virtudes frequentemente reveladas
ocasionalmente escondidas
chegaste ao topo
do teu máximo.

Aí, onde Deus te quis,
onde és amado
por vivos
e
por mortos,
sonhas com o sonho,
amas Deus
e
os seus discípulos.

Aí, para onde Deus
leva quem ama,
conheces a vida
por ti merecida
por ti ansiada:
o paraíso.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Luar

A areia estava convidativa.
Deitamo-nos,
deitamo-nos a observar a lua.

Continuamos por ali,
horas e horas,
não queríamos sair.
Estávamos apaixonados,
apaixonados por uma lua divinal, irrecusável.

Aquela lua, aquela noite,
aquele brilho, aquele teu olhar,
oh como era bom,
como era bom o tempo parar.
Ali, no teu olhar,
ao luar.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Mais um

Ninguém sabe o que está para vir.
Ninguém.
Nem Deus.

O que está para vir há-de ser qualquer coisa,
ou melhor,
há-de ser; há-de ser assim, simplesmente assim.

Não há que temer, não há que recear,
não há que ansiar, não há que enlouquecer~;
há apenas que respeitar e que aguardar.
Com paciência, fé, serenidade e energia.

Assim, aguardemos,
aguardemos por um ano novo,
com novidades de certeza,
com curvas, rectas, descidas, subidas.

Que saibamos conduzir
um novo ano
até atingir, aceleradamente, a meta.

Sim,
porque os anos são como o tempo: voam.
E não há nada a fazer:
é viver, viver com intensidade e paixão.