sexta-feira, 27 de junho de 2008

FIM

Ao despedir-me
de algo (alguém)
há uma parte de mim
que vai,
sem me perguntar
se eu deixo ir.

Antes da despedida,
já encontrei,
já conheci,
já construí,
já compreendi.
Por isso, agora
não fico menor
nem incompleta.

O que vai de mim
nessa despedida
é uma saudade perdida,
uma sensação infinita.
E enquanto viver
tudo será encontro e despedida,
excepto no dia da minha morte…
em que me despeço de mim
para me encontrar com o FIM.

(1 de Maio de 1988)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mundo

Há um lugar para ti neste mundo.
Neste mundo de palavras intensas,
de fantasias intermináveis,
de conversas impensáveis,
de olhares inimagináveis.
Neste mundo de encantos inocentes,
de sorrisos espontâneos
de ternuras carentes,
de qualquer coisa impossível.

Há um lugar para ti neste mundo.
Um lugar sem morada,
sem identidade,
sem face,
com perfil,
com alma.
Um lugar sem memória,
sem história,
com vida,
com eternidade,
com loucura.

Há um lugar para ti neste mundo.
Era isto que pensavas?
Era isto que sentias?
Não?
A sério que não?Pois não. É este teu eu que o sente.

domingo, 22 de junho de 2008

Mar

Mal te conheço
mas vejo em teus olhos
um outro Mundo.
Na tua voz,
ouço a melodia
e em ti sinto
o que nunca senti:
sinto uma espécie
de Mar entre nós.

(Mar = amor, vida, poesia)

domingo, 15 de junho de 2008

Palavras

Haja vento ou não haja vento,
há palavras que voam.
Voam de um interior sossegado para um qualquer exterior agitado.
São palavras que voam e ai de alguém que as agarre.
As palavras nasceram para viver em liberdade,
não para alguém as prender.
E alguém,
agora ou mais tarde,
as há-de ler.

Alguém as vai ler,
guardando ou não,
há-de tê-las para as usar.
As palavras nasceram para serem ditas, lidas, sentidas,
enfim, para serem amadas.
Há palavras de dor,
de mágoa,
de ternura
e
de amor.
Há palavras para tudo.
Até para dizer que te amo.
Isso.
Para te dizer,
a ti,
vida sem mais vida,
que te amo.

Seja cá, seja lá, amo-te.

Paraíso

Reparo no paraíso,
imagino-te lá;
deslumbrada, deslumbrante.

Sonho com esse tempo vivido por ti.
Desejo o maior desejo para os teus desejos.
És única, adoro dar-te tudo.
Tudo mesmo.

Volto a sonhar com o teu paraíso.
Desejo o impossível:
encostar-me e sentir o teu coração palpitar,
aproximar-me dos teus lábios (doces, vivos, esculturalmente delineados),
acariciar-te a face,
ouvir-te suspirar suavemente,
sem temores nem ardências.

Não, dizes não, não me toques;
entra apenas,
entra apenas neste mundo,
percorre o meu caminho,
segue o meu rasto,
descobre o meu paraíso.

Aceito.
Entro, percorro, sigo e descubro,
descubro um templo.
Um templo de ouro, flores e um azul intenso de mar.
Não quero mais, não vou mais além:
Convidaste-me, entrei no teu paraíso,
sou filho da felicidade.
Para sempre.