I
Acredita,
não haverá mais noites com aquela noite.
estavas deslumbrante,
atraente,
um delírio gritante,
um encanto penetrante.
estavas como a lua:
luminosa, apaixonante, nua, toda nua.
estavas despida de complexos e preocupações,
estavas despida de um mundo
de teias incontornáveis,
de um quotidiano de labirintos infindáveis.
toda tu eras felicidade,
toda tu eras loucura, intensidade, desejo ardente.
toda tu eras vida, sonho, doçura, ternura.
Não te toquei.
observei-te apenas,
percorri,
com um olhar vivo, esfomeado, intenso,
cada curva,
cada linha de um corpo escultural, perfeito, belo.
não consegui tocar-te:
fui avançando,
segundo a segundo, com o tal olhar indescritível,
por uma ingénua beleza,
por uma inocente pureza,
até que, não resisti,
e saiu-me uma simples confissão:
a um dos ouvidos, disse-te ‘estava capaz de te devorar’,
ao outro, ‘mas, sabes, a vida não me permite entrar na tua vida’,
e à tua alma, contei ‘o meu amor
por todo o teu mundo é assim mesmo, distante e especial’.
Liberta-me, liberta-me por favor destas malditas amarras.
deixa-me entrar em cada pedaço
de um interior memorável, endeusado, paradisíaco.
prometo não sair mais;
de ti, claro.
sábado, 27 de dezembro de 2008
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