terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SIM

Não venho dizer-te muito,
não quero gastar-te o tempo
com palavras

que o vento leva velozmente,
que um barco arrasta por um infinito mar,
que um sol aquece até apodrecer.

Não.
Não te queimo a alma com confissões quentes
de um coração esgotado de paixões, recheado de solidões,
e, vá,
descansa,
não te dispo os sentimentos com pressões ingénuas.
Não,

também não te vou saturar os ouvidos com conversas inocentes
e que,
hás-de pensar,
nada trazem para transformar um qualquer mundo em paraíso.

Não.
Deixa-te estar, aí, calada, sossegada, sentada,
concentrada num tempo sem tempo,
esquecida num imaginário sem linha,
perdida num horizonte sem limites;
deixa-te andar como uma onda a cair, suave ou vivamente, na areia virgem, molhada,
deixa-te ir como um navio sem bússola, como um pássaro de asas frágeis,
deixa-te ser uma gaivota sem destino, um preso com liberdade,
deixa-te cair um minuto num precipício de sonhos.

Não, não vou dizer mais não;
não isto, não aquilo,
vou dizer antes isto:
sim,
és uma deusa endeusada pelo tempo,
adorada por palavras, confidências e desabafos
de
um encantado poeta de noites de magia,

esfomeado de amor, sequioso de ternura.

Sim, és assim.

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