quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sorriso

Vagueio por uma qualquer rua, por um caminho perdido, não temo a solidão, não conheço o destino.
Vou, só isso: vou.
Vou e paro.
Olho em frente, lá ao fundo, lá está ele, um sorriso,
um sorriso de perfil:
meigo, transparente, lúcido, atraente, vivo.

Os cabelos, escuros e escorridos,
de uma Rainha da beleza de outros tempos,
de uma alma de eternos sentimentos,
de uma vida de intermináveis ventos,
de uma saudade de infindáveis encantos.

Os olhos, também escuros,
de uma profundeza de um oceano sem fundo,
de uma transparência de uma água de nascente cristalina,
de uma iluminada fantasia.

O corpo, mais vestido do que nu,
mais natural do que a pureza,
mais ingénuo do que a inocência.
mais escultural do que a natureza.

Voltei a ir.
Fui.
Fui com aquele olhar no meu olhar,
fui com aquele sentir no meu interior,
fui e em cada história encontrei uma memória dele,
do sorriso.
Um sorriso de musa,
a objectiva na mão,
a paixão no coração,
a ternura em cada pedaço de vida.

Não mais parei,
não mais parei de memorizar:
Tu, Deusa de encantos vivos,
és linda, harmoniosa,
a verdadeira raiz da sedução.
E o teu sorriso, uma tentação.

22 de Maio de 2008

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