A vida não é mais do que a vida: é vida e ponto final.
Começa, percorre-se por entre curvas, rectas, subidas, descidas, esquinas e entre paredes,
e um dia, sabe Deus quando, termina.Vai tudo, vamos todos, fica o património, algumas imagens, a alma, a saudade.
Mais nada.
A verdade é a verdade. E mais nada.
Custa ouvi-la, dói saber determinadas verdades e também sabe bem ouvir outras verdades,
daquelas que nos fazem sorrir e sentir orgulho e prazer.
Por muito pouco orgulho ou prazer que seja.
E o medo.
Maldito termo, maldito sentimento!
Quem não tem medo de um dia ter medo,
quem não tem medo de tremer por esta ou aquela razão?
Mas – há sempre um filho-da-mãe de um “mas” num desabafo, seja ele escrito ou verbal –, quem não tem medo não tem coragem.
Quem não tem medo não está pronto
para
enfrentar o vento,
o tempo,
um mar de ondas intermináveis,
o sol tórrido,
chuvas torrenciais;
e,
muito mais do que isso,
quem não tem medo, não está preparado para encarar o maior desafio da sua própria vida:
lutar contra a própria vida, fazer força, muita força, para que a última porta não se feche.
Ou pelo menos que não se feche enquanto temos pernas, mãos, saúde, cérebro, coração, alma, sentimentos, enfim tudo no sítio;
dito de outra maneira:
que a última porta não se feche antes de um destino mais imprevisível do que o nascimento de Jesus Cristo.
O destino está traçado, há muito, ninguém o pode negar, mas – lá vem mais outro “mas” – enquanto tivermos vida, força, medo, fé
e
soubermos lutar contra a verdade, havemos de seguir esta fantástica e saudável máxima: “O destino é aquilo que fazemos dele”.
Mais nada.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
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