Queria tocar no teu coração.
Não sei se seria capaz, mas queria,
queria
tocar em cada bater de sentimento
escondido,
tocar em cada pedaço de vida,
tactear cada linha, cada nervo.
Queria tocar no coração
de
uma divindade cristalina (tu mesma, fabulosa deusa de marés infindáveis).
Queria tocar e perder-te,
por uns minutos,
horas ou dias.
Mais não.
Chegaria de sofrimento.
Não tocar é pior do que tocar;
não tocar no teu coração
é pior do que lhe tocar.
O meu coração
dá-me esse bater de sensações intermináveis,
livres de um vento mais vento que Zéfiro,
o deus de todos os ventos,
dá-me passos de um piso clássico de templos desaparecidos.
Dá-me.
Chega.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
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