quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Madalena

Perdeu-se.
Desapareceu.
Sem rasto, com memórias, com histórias, sem destino nem paradeiro.
Foi e não voltou.
Inocente da inocência, ingénua de ingenuidade, louca de loucura,
Partiu e nunca mais deu notícias. Pum!
Era uma vez uma Madalena.

Era uma vez uma Madalena,
a Madalena de poemas declamados
na esquina
de uma casa de férias,
uma casa azul clarinha, de telhados de barro e muitas conversas ou discussões para recordar.
Lembrar-se-á a Madalena dos poemas declamados?
“Eras tu Ó Madalena, aquela que eu mais queria,
eras tu quem eu desejava de noite e dia…”
Que tempos inenarráveis,
que memórias, que histórias,
Que ventos naquela face,
Que beijo, doce, profundo, indescritível.

Lembrar-se-á a Madalena daquele beijo,
numa noite quente, estrelada, aluada, limpa como a alma dela?
Uma alma mais aberta
que
a janela do quarto onde adormecia até o sol nascer e o mar encher,
uma alma mais quente
que
um coração, ardente de tanto palpitar sempre
que
esta mão, a direita,
lhe
tocava, leve e suavemente, no braço esquerdo.

Lembrar-se-á a Madalena, não, não se lembra,
que
a vi deitar-se,
calma e seguramente,
naquela cama solitária de um quarto pouco ornamentado?
Despida? De pijama, às riscas ou às bolinhas, branco ou azul claro liso? De calções, curtos ou compridos?
Que interessa isso?
Era uma vez uma Madalena
e
ponto final.
Não há mais nada para interiorizar.

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