quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A vida não acaba aqui

Na memória persiste
um fim de tarde
memorável, único, soberbo, saboroso, intenso.

Na imagem cerebral vive
cada cena viva,
louca, apaixonante, deslumbrante, quente.

Nada desaparece daquele dia,
daquele momento de eterno sentimento,
nada vai com o sol ou com o vento;
tudo fica,
aqui,
nesta alma de segredos guardados e paixões aquecidas.

Fica o amor, o carinho,
a delícia de te ter em mim
e
a ternura de estar dentro do teu mundo,
à superfície e bem no fundo.

A vida podia acabar aí,
mas não,
não acabou;
nem há-de acabar aqui.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Desabafos de fim d’ano

II

Podes pensar tudo o que estiver guardado nessa alma,
uma alma única, rica, apetecível.
Podes sonhar todos os sonhos até ao limite dos limites.
Podes imaginar este mundo e o outro
e
ainda mais para lá deste e do outro mundo
Podes criar quadros lindos de morrer por eles.
Mas, acredita,

nada há como estares em mim, dentro da minha alma,
com intensidade e calma;
nada há como viveres a vida na minha vida;

nada há como te afogares de paixão e loucura
por cada momento de ternura;
nada há como entrares na eternidade
aconchegada pelo meu abrasador calor.

Acredita,
acredita que é verdade.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Desabafos de fim d’ano

I

Acredita,
não haverá mais noites com aquela noite.
estavas deslumbrante,
atraente,
um delírio gritante,
um encanto penetrante.
estavas como a lua:
luminosa, apaixonante, nua, toda nua.
estavas despida de complexos e preocupações,
estavas despida de um mundo
de teias incontornáveis,
de um quotidiano de labirintos infindáveis.
toda tu eras felicidade,
toda tu eras loucura, intensidade, desejo ardente.
toda tu eras vida, sonho, doçura, ternura.

Não te toquei.
observei-te apenas,
percorri,
com um olhar vivo, esfomeado, intenso,
cada curva,
cada linha de um corpo escultural, perfeito, belo.
não consegui tocar-te:
fui avançando,
segundo a segundo, com o tal olhar indescritível,
por uma ingénua beleza,
por uma inocente pureza,
até que, não resisti,
e saiu-me uma simples confissão:
a um dos ouvidos, disse-te ‘estava capaz de te devorar’,
ao outro, ‘mas, sabes, a vida não me permite entrar na tua vida’,
e à tua alma, contei ‘o meu amor
por todo o teu mundo é assim mesmo, distante e especial’.

Liberta-me, liberta-me por favor destas malditas amarras.
deixa-me entrar em cada pedaço
de um interior memorável, endeusado, paradisíaco.
prometo não sair mais;
de ti, claro.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ausente

Sei que estás ausente,
mas encaro cada ausência tua
como um desafio;
um desafio à minha alma,
ao meu sentimento,
a um coração despedaçado.

Sei que não estás,
mas enfrento cada momento sem te ver,
sem te ter,
como um momento de verdade,
de crescimento interior,
e, claro, de dor.

O que hei-de fazer?
Não sei viver sem te ter
e sempre que escapas do meu espaço
fico assim como um pobre sem família, sem abrigo, sem alimento.

Deixa lá, hei-de salvar-me
nesta terra sem cor
sempre que partes para um qualquer outro lado.
Acredita que sim,
vou salvar-me.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SIM

Não venho dizer-te muito,
não quero gastar-te o tempo
com palavras

que o vento leva velozmente,
que um barco arrasta por um infinito mar,
que um sol aquece até apodrecer.

Não.
Não te queimo a alma com confissões quentes
de um coração esgotado de paixões, recheado de solidões,
e, vá,
descansa,
não te dispo os sentimentos com pressões ingénuas.
Não,

também não te vou saturar os ouvidos com conversas inocentes
e que,
hás-de pensar,
nada trazem para transformar um qualquer mundo em paraíso.

Não.
Deixa-te estar, aí, calada, sossegada, sentada,
concentrada num tempo sem tempo,
esquecida num imaginário sem linha,
perdida num horizonte sem limites;
deixa-te andar como uma onda a cair, suave ou vivamente, na areia virgem, molhada,
deixa-te ir como um navio sem bússola, como um pássaro de asas frágeis,
deixa-te ser uma gaivota sem destino, um preso com liberdade,
deixa-te cair um minuto num precipício de sonhos.

Não, não vou dizer mais não;
não isto, não aquilo,
vou dizer antes isto:
sim,
és uma deusa endeusada pelo tempo,
adorada por palavras, confidências e desabafos
de
um encantado poeta de noites de magia,

esfomeado de amor, sequioso de ternura.

Sim, és assim.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Por ti

Cada bocadinho contigo
é um bocadinho de carinho;
sinto,
cada vez que trocamos palavras, ideias ou desabafos,
a janela da alma abrir-se de ternura;
sinto,
cada vez que me ouves,
a porta do coração abrir-se de encantos.

Sinto também,
contigo,
no calor de uma alma fragilizada pelo tempo,
um sopro intenso de um vento penetrante;
e, pois então,
vivo de palavras ditas numa noite de chuva:
a minha vida é a tua vida,
desabafaste.

E é assim,
com pouco de tudo e muito de quase nada,
que
este pobre e louco perdido no tempo e na lua
vive:
de um amor mais amor do que o amor.
Sem sofrimento,
com paciência,
por ti
por cada bocadinho de ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Como tu

Não há mar profundo como o teu
Não há luar intenso como o teu que brilha em noites de conversas eternas
Não há sol ardente como aquele teu que ilumina um território obscuro
Não há vida como a tua vida,
não há.

Procurei, procurei, fui indo, até sei lá onde
e nada;
não encontrei.

Não encontrei ninguém como tu,
inocente criatura de beleza ofuscante,
ingénua figura mais escultural

do que
a obra do melhor artista de uma arte com arte,
diabólica alma de sentimentos transbordantes.

Nada é como tu,
ninguém vive como tu,
tu, sim tu mesma, és tudo.
Vê lá, tudo.
Sem mais caracteres, sem mais palavras, vírgulas, pontos ou parágrafos.
És tudo e não há mais nada para explicar, descrever ou desabafar.

És tudo,

mas mesmo tudo.