Cada bocadinho contigo
é um bocadinho de carinho;
sinto,
cada vez que trocamos palavras, ideias ou desabafos,
a janela da alma abrir-se de ternura;
sinto,
cada vez que me ouves,
a porta do coração abrir-se de encantos.
Sinto também,
contigo,
no calor de uma alma fragilizada pelo tempo,
um sopro intenso de um vento penetrante;
e, pois então,
vivo de palavras ditas numa noite de chuva:
a minha vida é a tua vida,
desabafaste.
E é assim,
com pouco de tudo e muito de quase nada,
que
este pobre e louco perdido no tempo e na lua
vive:
de um amor mais amor do que o amor.
Sem sofrimento,
com paciência,
por ti
por cada bocadinho de ti.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Por ti
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Como tu
Não há mar profundo como o teu
Não há luar intenso como o teu que brilha em noites de conversas eternas
Não há sol ardente como aquele teu que ilumina um território obscuro
Não há vida como a tua vida,
não há.
Procurei, procurei, fui indo, até sei lá onde
e nada;
não encontrei.
Não encontrei ninguém como tu,
inocente criatura de beleza ofuscante,
ingénua figura mais escultural
do que
a obra do melhor artista de uma arte com arte,
diabólica alma de sentimentos transbordantes.
Nada é como tu,
ninguém vive como tu,
tu, sim tu mesma, és tudo.
Vê lá, tudo.
Sem mais caracteres, sem mais palavras, vírgulas, pontos ou parágrafos.
És tudo e não há mais nada para explicar, descrever ou desabafar.
És tudo,
mas mesmo tudo.
Não há luar intenso como o teu que brilha em noites de conversas eternas
Não há sol ardente como aquele teu que ilumina um território obscuro
Não há vida como a tua vida,
não há.
Procurei, procurei, fui indo, até sei lá onde
e nada;
não encontrei.
Não encontrei ninguém como tu,
inocente criatura de beleza ofuscante,
ingénua figura mais escultural
do que
a obra do melhor artista de uma arte com arte,
diabólica alma de sentimentos transbordantes.
Nada é como tu,
ninguém vive como tu,
tu, sim tu mesma, és tudo.
Vê lá, tudo.
Sem mais caracteres, sem mais palavras, vírgulas, pontos ou parágrafos.
És tudo e não há mais nada para explicar, descrever ou desabafar.
És tudo,
mas mesmo tudo.
Ouviste?
Hoje fizeste anos.
É verdade.
Parece que estás mais velho, mais velho um ano.
Pelo menos dizem.
Pelo menos dizem que nasceste neste dia.
É verdade,
é verdade que também dizem que nasceste
há precisamente não sabes quantos anos.
Parece que foi ontem.
Parece que foi ontem?
Que lata!
Como sabes que parece ter sido ontem se não te lembras de ter nascido?
Não te lembras de ter nascido?
Claro que não!
É uma força de expressão!
Dizer que parece que foi ontem é uma força de expressão.
É como quem diz
que
a vida passa tão depressa como
um comboio alfa-pendular passa por qualquer estação.
Só isso.
Hoje fizeste anos.
É engraçado.
Se calhar não é engraçado.
É apenas uma constatação:
sentes-te porventura
um bocadinho mais velho?
Ontem, por exemplo, eras o mesmo que és hoje.
Sentes-te como se tivesses as mesmas vírgulas
e
os mesmos pontos finais.
Nem mais uma linha; és o mesmo
e pronto.
Nem mais um ponto final.
É verdade.
És o mesmo de ontem,
o mesmo de anteontem,
o mesmo de há uma semana,
de há um mês,
de há um ano.
Sem mais vírgulas ou pontos finais.
És o mesmo e pronto.
Mais velho ou com mais anos em cima do pêlo
és o mesmo e ninguém,
mas mesmo ninguém,
pode dizer que não.
És o mesmo
e
não se fala mais no assunto.
Ouviste?
É verdade.
Parece que estás mais velho, mais velho um ano.
Pelo menos dizem.
Pelo menos dizem que nasceste neste dia.
É verdade,
é verdade que também dizem que nasceste
há precisamente não sabes quantos anos.
Parece que foi ontem.
Parece que foi ontem?
Que lata!
Como sabes que parece ter sido ontem se não te lembras de ter nascido?
Não te lembras de ter nascido?
Claro que não!
É uma força de expressão!
Dizer que parece que foi ontem é uma força de expressão.
É como quem diz
que
a vida passa tão depressa como
um comboio alfa-pendular passa por qualquer estação.
Só isso.
Hoje fizeste anos.
É engraçado.
Se calhar não é engraçado.
É apenas uma constatação:
sentes-te porventura
um bocadinho mais velho?
Ontem, por exemplo, eras o mesmo que és hoje.
Sentes-te como se tivesses as mesmas vírgulas
e
os mesmos pontos finais.
Nem mais uma linha; és o mesmo
e pronto.
Nem mais um ponto final.
É verdade.
És o mesmo de ontem,
o mesmo de anteontem,
o mesmo de há uma semana,
de há um mês,
de há um ano.
Sem mais vírgulas ou pontos finais.
És o mesmo e pronto.
Mais velho ou com mais anos em cima do pêlo
és o mesmo e ninguém,
mas mesmo ninguém,
pode dizer que não.
És o mesmo
e
não se fala mais no assunto.
Ouviste?
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Menina da ria
Um sorriso inocente daquela menina
e aquece um peito frio e desprotegido;
uma palavra ingénua daquela menina
e arde uma alma carente e perdida.
É, é verdade;
aquela menina encanta só de olhar,
espanta só de estar, ali, parada,
mata a saudade de um nostálgico poeta,
entusiasma a vida de um pobre sem tecto nem morada.
Como é bom interiorizar
a suavidade do olhar,
a doçura da voz,
o encanto do andar.
Como é bom imaginar
a escultura de um corpo celestial,
o desenho de pernas bronzeadas por um sol escaldante
a ternura de cada gesto.
o sabor salgado de lábios tenros e apetitosos,
e, claro, o sentimento de um coração palpipante.
É, é mesmo verdade:
a menina de uma ria transparente, inimaginável,
sorri para ti e tu entras no paraíso impossível de atingir,
passas a ser o rei de além mares e de todas as luas.
Bates a porta ao sonho,
fechas a janela do imaginário
e, aí está ela,
toda tua,
a menina da ria:
linda, sorridente, pura, ardente, solitária, poderosa.
É assim,
é assim a menina de amores eternos e olhares endeusados.
e aquece um peito frio e desprotegido;
uma palavra ingénua daquela menina
e arde uma alma carente e perdida.
É, é verdade;
aquela menina encanta só de olhar,
espanta só de estar, ali, parada,
mata a saudade de um nostálgico poeta,
entusiasma a vida de um pobre sem tecto nem morada.
Como é bom interiorizar
a suavidade do olhar,
a doçura da voz,
o encanto do andar.
Como é bom imaginar
a escultura de um corpo celestial,
o desenho de pernas bronzeadas por um sol escaldante
a ternura de cada gesto.
o sabor salgado de lábios tenros e apetitosos,
e, claro, o sentimento de um coração palpipante.
É, é mesmo verdade:
a menina de uma ria transparente, inimaginável,
sorri para ti e tu entras no paraíso impossível de atingir,
passas a ser o rei de além mares e de todas as luas.
Bates a porta ao sonho,
fechas a janela do imaginário
e, aí está ela,
toda tua,
a menina da ria:
linda, sorridente, pura, ardente, solitária, poderosa.
É assim,
é assim a menina de amores eternos e olhares endeusados.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
É assim
É assim a vida.
Os segundos contam, os minutos passam, os dias correm,
os anos são vividos.
Não há nada a fazer: a vida vive-se e ponto final;
vive-se enquanto se vive,
vive-se até chegar aquele dia,
aquele dia de dizer adeus.
(obrigado Vida por me ires dando vida)
Os segundos contam, os minutos passam, os dias correm,
os anos são vividos.
Não há nada a fazer: a vida vive-se e ponto final;
vive-se enquanto se vive,
vive-se até chegar aquele dia,
aquele dia de dizer adeus.
(obrigado Vida por me ires dando vida)
domingo, 28 de setembro de 2008
Ainda ontem
Ainda ontem eras uma criança a chorar,
embalada pelas mãos de uma mãe e pelo coração de um pai,
uma menina a crescer para o tempo,
uma adolescente de sonhos de sonho,
uma alma apaixonada por um homem que haveria de ser teu,
uma mulher de aliança no dedo
e
pronta para enfrentar ondas, marés, ventos, tempestades, enfim, uma mulher.
Ainda ontem eras quem eras,
ainda ontem vivias numa linha de horizonte inimaginável,
procuravas um qualquer fim com ou sem fim,
esbracejavas por entre correntes de um rio sem foz,
lutavas até ficar sem voz,
amavas sem cobrar,
davas sem receber,
vencias sem pisar.
Sabes, Mãe, ainda ontem eras assim
e, acredita, nesse tempo sem tempo,
fosses o que fosses, fosses como fosses,
já eras Mãe.
Sabes, Mãe, ainda ontem o sol nasceu
e,
acredita,
ainda hoje nasce.
Porque o sol és tu, Mãe de todas as Mães.
Não és tu a vida de seis vidas?
De seis vidas que outras vidas deram?
Não és tu o exemplo mais do que perfeito de um exemplo sem exemplo?
Não és tu um vento que sopra até transformar o impossível?
Não és tu um mar eterno?
Não és tu a deusa da ternura que perdura?
Não és tu o paraíso de ondas intocáveis?
É verdade, Mãe, ainda ontem estavas ali, no berço de uma orgulhosa e humilde família,
ainda ontem estavas ali, no altar, a dizer sim quero viver com este homem para todo o sempre,
Ainda ontem estavas ali, não sei quantas vezes, a sentir-nos sorrir para um templo chamado vida,
Ainda ontem estavas sentada naquela cadeira a falar, a falar e a falar.
Adoras falar, adoras conversar, adoras estar onde estás, adoras viver.
Por isso, Mãe, ouve-me com atenção: não vás já embora, não vás, por favor.
Acredita, vou conversar com o Pai.
Ele não te pode querer ao lado dele, pelo menos agora,
Vou pedir-lhe apenas isto:
Pai, sê nosso amigo, sê amigo de todos amigos teus amigos e amigos da tua Deusa,
não queiras
a outra tua alma na tua alma.
Ele vai atender este pedido.
Ele não te vai levar.
Pelo menos por agora.
Ainda terás muita vida na tua vida.
E sabes o que mais me apetece dizer, Mãe?
Não sabes?
Vá lá, diz que sabes,
e
sorri sempre que repetir esta frase:
Obrigado, vida, sem ti não estava aqui.
Obrigado, Mãe, Deus sabe como te amam os que te amam.
embalada pelas mãos de uma mãe e pelo coração de um pai,
uma menina a crescer para o tempo,
uma adolescente de sonhos de sonho,
uma alma apaixonada por um homem que haveria de ser teu,
uma mulher de aliança no dedo
e
pronta para enfrentar ondas, marés, ventos, tempestades, enfim, uma mulher.
Ainda ontem eras quem eras,
ainda ontem vivias numa linha de horizonte inimaginável,
procuravas um qualquer fim com ou sem fim,
esbracejavas por entre correntes de um rio sem foz,
lutavas até ficar sem voz,
amavas sem cobrar,
davas sem receber,
vencias sem pisar.
Sabes, Mãe, ainda ontem eras assim
e, acredita, nesse tempo sem tempo,
fosses o que fosses, fosses como fosses,
já eras Mãe.
Sabes, Mãe, ainda ontem o sol nasceu
e,
acredita,
ainda hoje nasce.
Porque o sol és tu, Mãe de todas as Mães.
Não és tu a vida de seis vidas?
De seis vidas que outras vidas deram?
Não és tu o exemplo mais do que perfeito de um exemplo sem exemplo?
Não és tu um vento que sopra até transformar o impossível?
Não és tu um mar eterno?
Não és tu a deusa da ternura que perdura?
Não és tu o paraíso de ondas intocáveis?
É verdade, Mãe, ainda ontem estavas ali, no berço de uma orgulhosa e humilde família,
ainda ontem estavas ali, no altar, a dizer sim quero viver com este homem para todo o sempre,
Ainda ontem estavas ali, não sei quantas vezes, a sentir-nos sorrir para um templo chamado vida,
Ainda ontem estavas sentada naquela cadeira a falar, a falar e a falar.
Adoras falar, adoras conversar, adoras estar onde estás, adoras viver.
Por isso, Mãe, ouve-me com atenção: não vás já embora, não vás, por favor.
Acredita, vou conversar com o Pai.
Ele não te pode querer ao lado dele, pelo menos agora,
Vou pedir-lhe apenas isto:
Pai, sê nosso amigo, sê amigo de todos amigos teus amigos e amigos da tua Deusa,
não queiras
a outra tua alma na tua alma.
Ele vai atender este pedido.
Ele não te vai levar.
Pelo menos por agora.
Ainda terás muita vida na tua vida.
E sabes o que mais me apetece dizer, Mãe?
Não sabes?
Vá lá, diz que sabes,
e
sorri sempre que repetir esta frase:
Obrigado, vida, sem ti não estava aqui.
Obrigado, Mãe, Deus sabe como te amam os que te amam.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Madalena
Perdeu-se.
Desapareceu.
Sem rasto, com memórias, com histórias, sem destino nem paradeiro.
Foi e não voltou.
Inocente da inocência, ingénua de ingenuidade, louca de loucura,
Partiu e nunca mais deu notícias. Pum!
Era uma vez uma Madalena.
Era uma vez uma Madalena,
a Madalena de poemas declamados
na esquina
de uma casa de férias,
uma casa azul clarinha, de telhados de barro e muitas conversas ou discussões para recordar.
Lembrar-se-á a Madalena dos poemas declamados?
“Eras tu Ó Madalena, aquela que eu mais queria,
eras tu quem eu desejava de noite e dia…”
Que tempos inenarráveis,
que memórias, que histórias,
Que ventos naquela face,
Que beijo, doce, profundo, indescritível.
Lembrar-se-á a Madalena daquele beijo,
numa noite quente, estrelada, aluada, limpa como a alma dela?
Uma alma mais aberta
que
a janela do quarto onde adormecia até o sol nascer e o mar encher,
uma alma mais quente
que
um coração, ardente de tanto palpitar sempre
que
esta mão, a direita,
lhe
tocava, leve e suavemente, no braço esquerdo.
Lembrar-se-á a Madalena, não, não se lembra,
que
a vi deitar-se,
calma e seguramente,
naquela cama solitária de um quarto pouco ornamentado?
Despida? De pijama, às riscas ou às bolinhas, branco ou azul claro liso? De calções, curtos ou compridos?
Que interessa isso?
Era uma vez uma Madalena
e
ponto final.
Não há mais nada para interiorizar.
Desapareceu.
Sem rasto, com memórias, com histórias, sem destino nem paradeiro.
Foi e não voltou.
Inocente da inocência, ingénua de ingenuidade, louca de loucura,
Partiu e nunca mais deu notícias. Pum!
Era uma vez uma Madalena.
Era uma vez uma Madalena,
a Madalena de poemas declamados
na esquina
de uma casa de férias,
uma casa azul clarinha, de telhados de barro e muitas conversas ou discussões para recordar.
Lembrar-se-á a Madalena dos poemas declamados?
“Eras tu Ó Madalena, aquela que eu mais queria,
eras tu quem eu desejava de noite e dia…”
Que tempos inenarráveis,
que memórias, que histórias,
Que ventos naquela face,
Que beijo, doce, profundo, indescritível.
Lembrar-se-á a Madalena daquele beijo,
numa noite quente, estrelada, aluada, limpa como a alma dela?
Uma alma mais aberta
que
a janela do quarto onde adormecia até o sol nascer e o mar encher,
uma alma mais quente
que
um coração, ardente de tanto palpitar sempre
que
esta mão, a direita,
lhe
tocava, leve e suavemente, no braço esquerdo.
Lembrar-se-á a Madalena, não, não se lembra,
que
a vi deitar-se,
calma e seguramente,
naquela cama solitária de um quarto pouco ornamentado?
Despida? De pijama, às riscas ou às bolinhas, branco ou azul claro liso? De calções, curtos ou compridos?
Que interessa isso?
Era uma vez uma Madalena
e
ponto final.
Não há mais nada para interiorizar.
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