quinta-feira, 3 de julho de 2008

Encanto

O teu canto um encanto é, um espanto não é
O teu canto é um encanto de aquecer uma alma sem manto
E não é um espanto por a tua música ser muito mais do que real.
Não. A tua música não é ficção,
a tua música
é um sonho de entrar e não mais voltar,
é como quem mergulha num mar eterno sem destino nem retorno.

Andar de parte em parte ao som da tua melodia
é ir e deixar-me ir,
assim,
sem mais preocupações nem menos divagações;
é partir para um lado diferente do desconhecido,
invisível do palpável;
é entrar num sonho
e não mais acordar;
é como espreitar a porta da morte,
ser convidado a entrar e continuar vivo.
Ouvir a tua voz
é mais do que um encanto,
ninguém é capaz de imaginar o que sente a minha alma
quando a tua voz canta só para o fundo de mim
Olhar os teus transparentes e plácidos olhos
é ficar cego de loucura,
tanta é a beleza que me conduz a um mundo que não é mundo.

Entrar no teu corpo é como ir à Lua sem poder ir,
é entrar na felicidade eterna
e de lá não mais querer sair.
Nem tu sabes como me deixa cego
de felicidade ficar dentro de ti uns segundos que sejam...
Adoro estar dentro da tua alma,
viajar no teu interior,
explorar cada um dos teus cantos
e, a dada altura, apetecia-me dizer:
por favor, deixa-me ficar aqui, sim?

Amar

Amar é ter-te e não te ter.
É estar contigo e não estar.
É sofrer até que o sofrimento nos transforme em morte.
É morrer aqui, ali e seja onde for.

Amar é voar por um planeta sem destino, sem tempo nem espaço.
É dizer a tudo quanto mexe e até que não mexe que sem ti não vivo.
É isso mesmo. Sem ti não vivo. E tu, mesmo escondendo nesse teu interior de beleza inconfundível e interminável, sabes bem que sem ti não vivo.

Amar é partir sem ter onde ficar.
É ir para lá do além e não mais voltar.
É dar o corpo e entregar a alma ao criador.
E assim ficamos. Sem nada, tudo teu, tudo em ti.

Amar é tudo isto e muito mais que as palavras não conseguem traduzir.
E tu sabes bem que é tudo isto e muito mais que sinto por ti.
Para sempre e até sempre.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

FIM

Ao despedir-me
de algo (alguém)
há uma parte de mim
que vai,
sem me perguntar
se eu deixo ir.

Antes da despedida,
já encontrei,
já conheci,
já construí,
já compreendi.
Por isso, agora
não fico menor
nem incompleta.

O que vai de mim
nessa despedida
é uma saudade perdida,
uma sensação infinita.
E enquanto viver
tudo será encontro e despedida,
excepto no dia da minha morte…
em que me despeço de mim
para me encontrar com o FIM.

(1 de Maio de 1988)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mundo

Há um lugar para ti neste mundo.
Neste mundo de palavras intensas,
de fantasias intermináveis,
de conversas impensáveis,
de olhares inimagináveis.
Neste mundo de encantos inocentes,
de sorrisos espontâneos
de ternuras carentes,
de qualquer coisa impossível.

Há um lugar para ti neste mundo.
Um lugar sem morada,
sem identidade,
sem face,
com perfil,
com alma.
Um lugar sem memória,
sem história,
com vida,
com eternidade,
com loucura.

Há um lugar para ti neste mundo.
Era isto que pensavas?
Era isto que sentias?
Não?
A sério que não?Pois não. É este teu eu que o sente.

domingo, 22 de junho de 2008

Mar

Mal te conheço
mas vejo em teus olhos
um outro Mundo.
Na tua voz,
ouço a melodia
e em ti sinto
o que nunca senti:
sinto uma espécie
de Mar entre nós.

(Mar = amor, vida, poesia)

domingo, 15 de junho de 2008

Palavras

Haja vento ou não haja vento,
há palavras que voam.
Voam de um interior sossegado para um qualquer exterior agitado.
São palavras que voam e ai de alguém que as agarre.
As palavras nasceram para viver em liberdade,
não para alguém as prender.
E alguém,
agora ou mais tarde,
as há-de ler.

Alguém as vai ler,
guardando ou não,
há-de tê-las para as usar.
As palavras nasceram para serem ditas, lidas, sentidas,
enfim, para serem amadas.
Há palavras de dor,
de mágoa,
de ternura
e
de amor.
Há palavras para tudo.
Até para dizer que te amo.
Isso.
Para te dizer,
a ti,
vida sem mais vida,
que te amo.

Seja cá, seja lá, amo-te.

Paraíso

Reparo no paraíso,
imagino-te lá;
deslumbrada, deslumbrante.

Sonho com esse tempo vivido por ti.
Desejo o maior desejo para os teus desejos.
És única, adoro dar-te tudo.
Tudo mesmo.

Volto a sonhar com o teu paraíso.
Desejo o impossível:
encostar-me e sentir o teu coração palpitar,
aproximar-me dos teus lábios (doces, vivos, esculturalmente delineados),
acariciar-te a face,
ouvir-te suspirar suavemente,
sem temores nem ardências.

Não, dizes não, não me toques;
entra apenas,
entra apenas neste mundo,
percorre o meu caminho,
segue o meu rasto,
descobre o meu paraíso.

Aceito.
Entro, percorro, sigo e descubro,
descubro um templo.
Um templo de ouro, flores e um azul intenso de mar.
Não quero mais, não vou mais além:
Convidaste-me, entrei no teu paraíso,
sou filho da felicidade.
Para sempre.