sexta-feira, 18 de março de 2011

Vem

Sei que tu
hás-de um dia dizer-me,
segredar-me talvez;
sim ,
eu quero,
eu quero muito
que entres novamente no meu interior;
vem,
vem devagar,
entra,
entra por favor,
com todo o teu amor,
com um sentimento mais profundo do que o mar eterno,
pela minha alma até ao fundo de tudo o que sou
e do que
não fui neste longo e inesperado tempo.
vem e fica,
fica em mim,
por mim e para mim.

sábado, 12 de junho de 2010

Tanto tempo

Há muito tempo.
Há muito tempo
que

o tempo não lhe permitia
ter tempo de sentir

o tempo passar assim
sem mais vírgulas nem pontos finais.

Foi há tanto, tanto tempo
que,
vá lá saber-se por que razão,
perdeu ideia
do tempo que passou.

Não sabe, nem quer saber.
Porquê?
Por preferir
que
o tempo passe à velocidade
do próprio

tempo.
Sem pressas, nem pressões.
Passa,
devagar ou a voar,
e pronto.

Assim,
sem tempo
de pensar

no tempo
que está a passar.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Necessidade

« Julga-se que a necessidade
cria a coisa; mas é a coisa,
na maior parte das vezes,
que cria a necessidade »

Friedrich Nietzsche
filósofo e filólogo
nasceu a 15 de Outubro de 1844 em Rocken [Alemanha]
faleceu a 25 de Agosto de 1900 em Weimar [Alemanha]

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ternura

Não deixo os meus lábios
tocar qualquer boca
não deixo os meus lábios
saborear qualquer aroma

Quando os meus lábios
beijam os teus lábios
outro sonho anseio,
outro beijo desejo

Montanhas d’água
dizimam um sentimento
mordaz
que nos separa.


Morte d’água:
penetro-me em ti.

[26 de Fevereiro de 1988]

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Esta e a outra

Digam o que disserem,
façam o que fizerem,
pensem o que pensarem,
julguem o que julgarem,
vivam o que viverem,
corrompam o que corromperem,
Amem o que amarem,
mordam o que morderem,
Matem o que matarem,
suicide-se quem quiser,
Eu não, eu não,
eu quero viver.
Se me deixarem, claro.

Deixam então não hão-de deixar.
Vivo esta vida,
hei-de viver esta vida
e hei-de viver a outra.

[escrito em Abril de 1988,
arranjado em Maio de 2009]

Não tenho medo

Não tenho medo.
Não tenho medo de nada.
Quanto mais sofro, mais eu amo.
O perigo apenas aumenta o meu amor.
Estou preso a ele. Vou apenas fazê-lo crescer.

Serei tudo o que precisas.
Viverás uma vida ainda mais linda do que a que tinhas.

Os céus vão trazer-te de volta e dirás:
"Apenas uma coisa pode tornar uma alma completa

e essa coisa é o amor".

Pedaço de desabafo retirado
do filme "O Leitor", de Stephen Daldry

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ondas

As ondas do teu cabelo
lembram-me
as ondas do mar.

Nos teus olhos a cor do mar vejo;
as tuas palavras
são como o som
das ondas do mar
a bater na areia virgem.
Quando me beijas mergulho em ti;
quando me abraças afogo-me no teu amor.

Com a tua ternura

observo um mar calmo, profundo, intenso;
Com o teu sentimento

abraço um Deus-Mar.
Tu és como um mar:

bela,
eterna,
gigantesca,
inteiramente fabulosa.
Tu és como um mar,
mas para mim não deixas, nunca deixarás,
de ser tu,

tu assim mesmo, como és.